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From: Fátima Borges
Sent: Wednesday, February 13, 2008 6:53 PM
Subject: Artigo sobre o desfile ecológico da Imperador

 

    A SALVAÇÃO DO PLANETA É O BICHO: o samba no contexto da nossa realidade


Neste carnaval, podemos dizer que a Imperador do Ipiranga, escola do grupo de acesso de São Paulo, mostrou que carnaval não precisa matar para evoluir! Com suas fantasias e alegorias, todas com materiais alternativos, e com um samba fantástico conseguiu levar à avenida a idéia de que passou da hora de refletir, agora é ação!
A escola colocou na Avenida cães e gatos esterilizados, como um pedido às autoridades para que tomem vergonha e façam as campanhas de esterilização, sempre prometidas, e nunca cumpridas. As araras azuis simbolizaram a necessidade de um combate sério aos traficantes de animais silvestres por este país. A ala de S. Francisco, sem dúvida, mostrou que somos responsáveis pelas criações divinas, pelos irmãos tão inocentes e indefesos como os nossos bebês!
Não me espantaria saber que a escola tenha recebido alguns “toques”, principalmente por parte do pessoal dos rodeios e da vivissecção para modificar essa ou aquela frase do samba, uma ou outra fantasia, essa turma não deixaria barato, haja pressão!
Não duvido de que durante o desenrolar dos trabalhos, a escola tenha se visto entre a cruz e a caldeirinha, pois a vontade de fazer um bonito carnaval e conscientizar as pessoas de que o planeta precisa ser salvo já, deve ter posto em sua quadra de ensaios alguns descontentes com o tema, especialmente pessoas que vivem do sofrimento, da morte de animais indefesos e da devastação de nossas riquezas naturais!
Com um samba-enredo primoroso, a Imperador deu o seu recado. O verso “na arena a maldade a se espalhar” nada mais é que a alusão aos rodeios, às touradas, às vaquejadas e afins, que todos já sabemos que não passam de festividades violentas, onde o que menos importa é o animal.
Com “ chega de degradação/mudaram a face da natureza/ o homem, ambicioso e infrator/rompeu seu elo com o criador/semeando a tristeza” ouvimos um pedido de ação efetiva, que possa reverter o quadro lamentável que o homem provocou na natureza prejudicando todas as espécies, principalmente a nossa, e a certeza de que as futuras gerações já não poderão ter acesso às maravilhas que tivemos!
Quem participou deste grande evento de conscientização, pôde fazer parte de um carnaval ético, pôde realmente brincar sem medo de ser feliz!
Sugiro às Ligas Independentes das Escolas de Samba de São Paulo e do Rio de Janeiro que a partir de 2009 criem um quesito que premie as escolas que menos utilizarem a fauna e a flora para fazerem seu carnaval, que criem um curso sério onde se mostre o enorme prejuízo para a natureza a utilização de materiais de origem animal. O samba não precisa ser conivente com desastres ecológicos, mas sim um aliado da vida.
Aos empresários que faturam alto na área dos grandes eventos, peço que apostem alto também nas festividades em que a preservação impere, em que o respeito às outras espécies esteja presente, afinal, como mostrou a escola : A SALVAÇÃO DO PLANETA É O BICHO!
Valeu Imperador, alguém tinha que dar o segundo grito do Ipiranga!

Por: Fátima Borges – Professora de Português e Teatro Infantil, Colunista, Poetisa e Artista Plástica